Caetano Veloso
Caetano Veloso é, sem dúvida, um dos maiores artistas não só da MPB assim como de todas as artes do Brasil. Ou com dúvidas, o que para Caetano seria muito melhor. É o que garantem muitos intelectuais e artistas do Brasil, dentre eles o professor e músico José Miguel Wisnik.
Apesar de todo o seu aparato técnico, ou anti-técnico (como se preferir), não há tanto destaque para a obra de Caetano Veloso como para outras músicos populares, como por exemplo Chico Buarque. Isso talvez reflita que, enquanto vivo, Caetano sempre será um músico popular, ainda que não encontre limite entre o mundo erudito e popular.
A opinião de muita gente em relação a Caetano é de defendê-lo em relação a outros grandes músicos e artistas do Brasil. O argumento, geralmente, é o de o baiano erradicado no Rio de Janeiro ser absolutamente eclético e continuar a produzir coisas que não se repetem de seus tempos áureos. Entenda-se “Alegria, Alegria”. Esse parece ser o desejo desde sempre de Caetano, que ao mesmo tempo é coerente e contraditório, sem contrariar a coerência, nem deixar de ser coerente em sua contradição.
Mas Caetano não para por aí, ou aliás continua. Porque mesmo em seu último disco, o Cê, ele continuou a lidar com uma linguagem nova, a do indie rock. Levando-a ao extremo, pôde produzir um disco que ao mesmo tempo cantava naquela linguagem, assim como a descontruia. Desconstruir discos, aliás, é um dos hobbies preferidos de Caetano.
Desde seu primeiro grande sucesso, Alegria, Alegria, que é uma composição que se divide em tratar de um sujeito feliz e alheio aos problemas sociais, a música por sua vez lidava com a música que encontrava espaço no mercado fazendo-se como que uma colagem dessas outras canções populares. É por esses e outros motivos que se encontra em Caetano uma espécie de gênero híbrido, que não se justifica nem no popular nem no erudito, e de alguma forma encontra, antes do que respaldo, resistência em ambos os “mundos”.
Mas este é ao mesmo tempo o motivo que mantém a obra de Caetano viva. Isto é, mantém a obra de Caetano a continuar a se refazer e se recriar. Mas para quem a acha eternamente recriadora, também há de se notar que sua estrutura se mantém, que é a de recriar músicas populares com um viés crítico e de descontruí-las, sempre com um pensamento reflexivo em mente. É claro que elas podem ser escutas sem esse comprometimento “intelectual”, afinal também toca para o povo.
Caetano Veloso, enfim, é um dos artistas mais populares do Brasil e que ao mesmo tempo levou a forma a pontos antes nunca alcançados, sobretudo a música popular. Caetano toca na vitrola e na cabeça. É odiado e amado, às vezes pelo mesmo motivo, por pessoas diferentes, sem que elas “saquem”. Mantém-se produzindo coisas novas, em toda a sua carreira, sem na verdade nunca deixar de produzir a mesma coisa.